Nota de pesar pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Pedro Gomes

Grupo de Pesquisa Comunicação para a Cidadania da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom)

Os tiros que mataram Marielle Franco, vereadora pelo PSOL na cidade do Rio de Janeiro, e seu motorista, Anderson Pedro Gomes, na noite do dia 14 de março, foram o mais duro golpe contra a democracia e as lutas populares na história recente. Para além do assassinato de uma mulher negra, feminista, lésbica, militante da favela, vereadora de um partido de esquerda, defensora dos direitos humanos, tentaram calar e matar sua luta e de todas as pessoas politicamente representadas por ela, a mesma luta que a mantém presente como símbolo. Foram tiros que tentaram jogar pá de cal sobre as possibilidades institucionais de tensionamentos da democracia, que possam trazer justiça social e equidade de classe, raça, gênero e orientação sexual. Foram tiros que aprofundam o golpe classista, machista, racista, misógino e lesbofóbico vivenciado no país. Foram tiros que tentaram matar a luta e a esperança de milhares de jovens que começam a despertar para o fato de que a violência material e simbólica contra a favela não é algo natural, mas histórico, por isso é realidade que pode (e deve) ser combatida e transformada. Foram tiros que tentaram calar a militância presente nas universidades, nas ruas e em todo e qualquer espaço de luta. Foram tiros de assassinos profissionais, treinados, conscientes do que fazem, que estão na estrutura política, no poder, que fazem parte de um Estado fascista que, já há algum tempo, demonstra não ter qualquer respeito pela democracia, pelos direitos humanos e que é capaz de tudo fazer para se perpetuar no poder, mesmo que isso custe a vida de quem frontalmente o combate. A inversão da realidade é tamanha, a ignorância cega ao ponto de alguns relativizarem o assassinato político de uma parlamentar por ela ser de esquerda e defensora dos direitos humanos. Direitos que, como o nome diz, são de todos e todas, garantidos pelo Estado democrático de direito, e que somente são objeto de luta porque não são respeitados, porque a cada dia morrem mais jovens, mulheres, lésbicas, gays, travestis, transexuais, negras e negros, principalmente nas favelas, não somente no Rio de Janeiro, mas nas periferias de todo o país. Um dia antes de ser brutalmente assassinada, em mensagem de lamento sobre a morte de Matheus Melo, 23, baleado quando saía da favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio, caso em que a família acusa policiais pela morte do rapaz, Marielle disse em sua página no Twitter: "Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?". Se não nos unirmos, continuarão nos matando. Se a eleição de Marielle nos dava uma perspectiva de futuro, sua partida brutal nos remete a um passado violento que bate novamente à porta. A luta pela Democracia e pela Cidadania se dá contra a barbárie e o silenciamento de quem questiona as desigualdades. Marielle não se calou e, assim como ela, não nos calaremos.

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