ÿþ<html><head><meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=iso-8859-1"><title>XIX Congresso de Ciências da Comunicação na Região Centro-Oeste</title><link rel="STYLESHEET" type="text/css" href="css.css"></head><body leftMargin="0" topMargin="0" marginheight="0" marginwidth="0"><table width="90%" border="0" align="center" cellPadding="1" cellSpacing="1"><tr><td colspan="2">&nbsp;</td></tr><tr><td width="20%"><span class="quatro"><b>INSCRIÇÃO:</b></span></td><td width="80%">&nbsp;00338</td></tr><tr><td colspan="2">&nbsp;</td></tr><tr><td><span class="quatro"><b>CATEGORIA:</b></span></td><td>&nbsp;PT</td></tr><tr><td colspan="2">&nbsp;</td></tr><tr><td><span class="quatro"><b>MODALIDADE:</b></span></td><td>&nbsp;PT03</td></tr><tr><td colspan="2">&nbsp;</td></tr><tr><td><span class="quatro"><b>TÍTULO:</b></span></td><td>&nbsp;Dor Anônima: Um ensaio fotográfico sobre as fas(c)es da violência contra a mulher</td></tr><tr><td colspan="2">&nbsp;</td></tr><tr><td><span class="quatro"><b>AUTORES:</b></span></td><td>&nbsp;Ana Clara de Souza da Costa Pinto (Universidade do estado de Mato Grosso); LAWRENBERG ADVINCULA DA SILVA (Universidade do estado de Mato Grosso); Letícia Ayumi Yamasaki (Universidade do estado de Mato Grosso)</td></tr><tr><td colspan="2">&nbsp;</td></tr><tr><td><span class="quatro"><b>PALAVRAS-CHAVE:</b></span></td><td>&nbsp;Ensaio Fotográfico, Violência contra a mulher, Corpo, , </td></tr><tr><td colspan="2">&nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2"><span class="quatro"><b>RESUMO</b></span></td></tr><tr width="90%"><td colspan="2" align="justify">Com a hashtag #mexeucomumamexeucomtodas, as redes sociais do Brasil revelaram indignação diante de casos recentes de assédio e violência contra a mulher. O protesto ganhou evidencia após a denúncia de assedio da figurinista Su Tonani contra o ator global José Mayer e à agressão do participante Marcos Harter à sua companheira Emilly Araújo no reality show Big Brother Brasil 17, ambos da TV Globo. Ciente disso, o presente ensaio fotográfico tem como proposta mostrar as diversas  fas(c)es da violência contra a mulher araguaiense, ao utilizar a linguagem e a estética fotográfica como canais de conscientização e mobilização política em relação à questão de gênero no Brasil. </td></tr><tr><td colspan="2">&nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2"><span class="quatro"><b>INTRODUÇÃO</b></span></td></tr><tr width="90%"><td colspan="2" align="justify">O mês de abril ficou marcado na TV Globo como o  mês das mulheres . No inicio de março, a emissora enfrentou a repercussão de um episódio de agressão contra a mulher envolvendo um dos integrantes do reality show The Voice Kids. Na ocasião foi apurada uma denuncia de violência domestica do cantor Victor Chaves (da dupla Victor &amp; Leo) contra sua esposa Poliana Bagatini. Em seguida, veio à tona o caso do ator José Mayer, no dia 3 de abril, no qual foi acusado de assédio pela figuninista Su Tonani. Este caso gerou revolta dentro da emissora e nas redes sociais da internet. Várias artistas, como Taís Araújo, Camila Pitanga, Cléo Pires, Leandra Leal e outras personalidades, postaram fotos e apareceram na TV com uma camiseta com a hashtag#mexeucomumamexeucomtodas. O episódio repercutiu nos jornais da emissora e em toda a sua programação. Em resposta, a Globo lançou uma nota repudiando os atos e esclarecendo que casos como esses devem ser apurados e que dará apoio às partes envolvidas.</td></tr><tr><td colspan="2">&nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2"><span class="quatro"><b>OBJETIVO</b></span></td></tr><tr width="90%"><td colspan="2" align="justify">O objetivo do ensaio fotográfico é conscientizar a população com imagens impactantes e que ilustram a realidade sobre as diversas formas de violência contra as mulheres, cujos motivos são, em sua maioria, por conflito de gênero, machismo e alcoolismo. Dentro dessa conscientização, cabem também às mulheres reconhecer que a violência surge das situações mais rotineiras e sutis possíveis, desde uma brincadeira de teor depreciativo à agressão seguida de feminicidio. Haja visto, o exemplo do caso da Emilly Araújo, do BBB17 ou até mesmo situações onde, por receio e medo, a agressão é ocultada, não registrada. </td></tr><tr><td colspan="2">&nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2"><span class="quatro"><b>JUSTIFICATIVA</b></span></td></tr><tr width="90%"><td colspan="2" align="justify">O número de denuncias de violência contra a mulher deveria ser maior, já que o atendimento pode ser realizado anonimamente, tanto pela vitima quanto por alguma testemunha (no caso de agressão física, pois a psicológica só a vitima pode relatar) na Central de Atendimento à Mulher, no Ligue 180. No entanto, na prática não é assim. Uma pesquisa apoiada pela Campanha Compromisso e Atitude, em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, revela que 98% da população brasileira já ouviu falar na Lei Maria da Penha. E pior do que isso: apesar de uma grande maioria ter ciência sobre a Lei, os índices de violência à mulher continuam altos e o assunto parece permanecer como tabu na sociedade.Outro aspecto identificado pela pesquisa da Campanha Compromisso e Atitude diz respeito ao perfil do lugar onde a mulher sofre a violência: 70% sofre mais violência dentro de casa do que em espaços públicos no Brasil. Isso se amplifica com o fato de existir 4,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres. Número que coloca o Brasil no 5º lugar no ranking de países nesse tipo de crime.Ultimamente, com a força da internet e suas redes sociais, onde todos se comunicam com todos, esta luta contra a violência tem tomado outros rumos. Os internautas tem criado hashtag que incentivam as vitimas a denunciarem. Uma delas, inclusive, surgiu após a expulsão do participante Harter: #EuViviUmRelacionamentoAbusivo.Segundo o instituto Data Popular (2013), os dados sobre as relações abusivas mostram que 51% das jovens de 14 a 24 anos já sofreram algum ato de violência após o fim de um relacionamento, mas só 2% fizeram boletim de ocorrência. </td></tr><tr><td colspan="2">&nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2"><span class="quatro"><b>MÉTODOS E TÉCNICAS UTILIZADOS</b></span></td></tr><tr width="90%"><td colspan="2" align="justify">A partir da ideia de tratar do tema violência contra a mulher, foram feitas pesquisas sobre o assunto a fim de obter dados mais precisos. O projeto utilizou o uso da fotografia e o resgate etnográfico. Com a fotografia obtivemos registros que servem como fonte documental, assim resgatando a ligação fotográfica com a antropologia.Na perspectiva fotoetnográfica, questões como etnia, religião, classe, ganham relevância, tal como, da relação de identidade e alteridade das tribos. Olhamos para fotografias para resgatar o passado no presente. Tiramos fotografias para nos apropriarmos do objeto que desaparecerá. Existe uma magia quando imortalizamos as pessoas e o tempo nas fotos. Para as tribos urbanas, fotografias são provas de sua existência, de sua identidade e história. (ANDRADE, 2002, p.49).A preocupação com a captação da imagem é um importante pré-requisito, garantindo o registro imagético. As fotos foram feitas a partir de um celular smartphone, com resolução de 8 MPX, que possibilita uma nitidez satisfatória, desde ângulos e enquadramentos de ambiente aos de close de partes do rosto. Para a composição da foto foi utilizada: uma garrafa de vinho, lençóis na fotografia do quarto, maquiagem carregada para simbolizar as marcas de agressão, canetão para a inscrição dos textos no corpo da modelo, o dropbox (luz externa) para iluminar ambientes mais sombreados, além do ketchup para simbolizar o sangue e o shampoo como se fosse o feto na foto ilustrativa do aborto. As fotos possuem contraste de cores de tons neutros com quentes, para realçar as marcas das agressões. Na parte da editoração eletrônica, privilegiou o software PhotoScape e o Paint, pela facilidade das ferramentas e aplicação dos recursos. </td></tr><tr><td colspan="2">&nbsp;</td></tr><tr> <td colspan="2"><span class="quatro"><b>DESCRIÇÃO DO PRODUTO OU PROCESSO</b></span></td></tr><tr width="90%"><td colspan="2" align="justify">Ao todo, o ensaio fotográfico teve 13 fotos, explorando os mais distintos ângulos da violência contra a mulher. A preparação do ensaio teve inspiração nos trabalhos do fotografo Sebastião Salgado, cuja linha de trabalho tem a denuncia social como tema principal. E os enquadramentos, contrastes, luz e planos buscaram perfilar o estado de dor e dramaticidade das vítimas, capturados na singularidade da expressão facial de cada modelo.Do ponto de vista conceitual, talvez a maior referencia do ensaio tenha sido a de Boris Kossoy (2007), uma vez que as fotografias exercem a função de um documento social de uma situação acontecida. Mais do que evidenciar uma estética da angústia e sofrimento da mulher, busca-se registrar um problema social que merece ser debatido, refletido, dentro da gravidade que abrange. Por isso, conscientes da importância do tema escolhido, optamos por uma estratégia mais agressiva, do chocante, de modo que a mensagem fotográfica provocasse uma reação mais intensa.Cada fotografia retrata uma das fases e faces da violência. </td></tr><tr><td colspan="2">&nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2"><span class="quatro"><b>CONSIDERAÇÕES</b></span></td></tr><tr width="90%"> <td colspan="2" align="justify">Como vimos, a fotografia está frequentemente associada à noção de documento, servindo para testemunhar uma realidade e, posteriormente, recordar a existência dessa mesma realidade. O projeto discute a violência à mulher, retratando de maneira chocante as diversas maneiras de agressões que podem atingir uma mulher, bem como os sentimentos causados às vítimas. É um projeto artístico e de denúncia social, em que as mulheres são representadas com repressão, anulação, inferioridade, submissão, dominação, silenciamento e violência; de maneira que a mulher mostra que seu corpo não deve ser violado ou violentado  meu corpo, minhas regras.O ensaio fotográfico é uma iniciativa inédita, em se tratando da forma como as integrantes interagiram com o tema. No processo, além de fotografas e fotografadas, cada uma foi redatora, entrevistadora, etnografa, editora, irmã, mãe, filha e amiga. De algum modo, aquela fronteira entre o eu profissional e sua variação pessoal se perde, não, na verdade, ascende, transcende, para um estágio avançado de conexão que revela que o que nos difere em relação à identidade de gênero é na verdade o que nos deixa inseguro de aceitar a nossa unidade enquanto sermos humanos mais sensíveis e humanitários. Por fim, é válido citar um pensamento de Gisèle Freund (2010: p.112), em relação à fotografia e a história:  é apenas a partir do momento em que a imagem se torna, ela mesma, história de um acontecimento que se conta numa série de fotografias . </td></tr><tr><td colspan="2">&nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2"><span class="quatro"><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁICAS</b></span></td></tr><tr width="90%"><td colspan="2">Mulher de Victor Chaves apaga carta em que afirmava que cantor não a machucou. Disponível em: http://extra.globo.com/famosos/mulher-de-victor-chaves-apaga-carta-em-que-afirmava-que-cantor-nao-machucou-21157015.html<br><br>'Mexeu com uma, mexeu com todas': As atrizes globais se unem por fim do assédio na TV. Disponível em: http://www.huffpostbrasil.com/2017/04/04/mexeu-com-uma-mexeu-com-todas-as-atrizes-globais-se-unem-por_a_22025534/<br><br>A violência contra a mulher ganha mais um capítulo na rede Globo (El País  12/04/2017). Disponível em: http://www.compromissoeatitude.org.br/a-violencia-contra-a-mulher-ganha-mais-um-capitulo-na-rede-globo-el-pais-12042017/<br><br>Após caso do  BBB , especialistas debatem relacionamentos abusivos (O Globo  12/04/2017). Disponível em: http://www.compromissoeatitude.org.br/apos-caso-do-bbb-especialistas-debatem-relacionamentos-abusivos-o-globo-12042017/<br><br>Delegada vai ao Projac ouvir Emilly e Marcos sobre agressão no BBB. Disponível em: http://veja.abril.com.br/entretenimento/delegada-vai-ao-projac-ouvir-emilly-e-marcos-sobre-agressao-no-bbb/<br><br>3 em cada 5 mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos, aponta pesquisa (Agência Patrícia Galvão  03/12/2014). Disponível em: http://www.compromissoeatitude.org.br/3-em-cada-5-mulheres-jovens-ja-sofreram-violencia-em-relacionamentos-aponta-pesquisa-agencia-patricia-galvao-03122014/<br><br>KOSSOY, B. Os Tempos da Fotografia: O Efêmero e o Perpétuo. Ateliê Editorial: Cotia-SP, 2007.<br><br>FREUND, G. Fotografia e sociedade. Lisboa: Nova Veja, 2010.<br><br>ANDRADE, R. Fotografia e Antropologia: Olhares ForaDentro, São Paulo: Estação Liberdade, 2002<br><br> </td></tr></table></body></html>