5ª EDIÇÃO DO CAFÉ INTERCOM DISCUTE OS IMPACTOS DAS FAKE NEWS NO JORNALISMO

2 de outubro de 2018

Está no ar a nova edição do Café Intercom Em Rede, projeto da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) em parceria com a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e a Universidade Anhembi Morumbi. Com apresentação de Nivaldo Ferraz (Anhembi Morumbi) e mediação de Manuel Carlos Chaparro (Intercom/ECA-USP), os jornalistas Eugênio Bucci (ECA-USP) e Irineu Machado (UOL) e a estudante Juliane Santoros debateram o tema “Verdades sobre fake news", aprofundando os impactos desse fenômeno no jornalismo.

Para fundamentar a conversa, o programa começa com um documentário produzido por estudantes de Jornalismo e Rádio, TV e Internet da Anhembi Morumbi, que apresenta a definição de fake news, o histórico de sua popularização no ambiente on-line (principalmente com a campanha presidencial norte-americana de 2016) e os motivos de sua fácil e rápida disseminação.

"Não existe a notícia falsa: ou é notícia, ou não é notícia. Notícia, conceitualmente, é a informação verdadeira de um fato verdadeiro. Então, a própria expressão fake news é uma mentira", afirma o professor Chaparro na abertura do debate, em seguida colocando a primeira pergunta: “O fenômeno das fake news já deve ser entendido e enfrentado como uma ameaça grave à confiabilidade do jornalismo”.

Para Irineu Machado, as fake news já são, sim, uma grave ameaça, porém a arma contra ela é justamente a própria credibilidade dos veículos tradicionais de comunicação. “Na hora de acontecimentos muito quentes e relevantes, veículos tradicionais acabam batendo recorde de audiência ou de tiragem porque é onde o público se sustenta para conferir informação”, exemplifica.

Nesse mesmo sentido, Eugênio Bucci destaca o impulso dado à campanha de assinaturas do jornal The New York Times pelo fenômeno das fakes news nos Estados Unidos. Porém, Bucci considera que a atividade profissional do jornalismo é apenas um dos vários campos sofrendo uma grave ameaça: “Quem está ameaçado mesmo pela emergência desses boatos industrializados, que são as fake news, é a própria vida normal das sociedades democráticas”. Bucci contribui, ainda, com uma conceituação das fake news, cuja melhor tradução seria “notícias fraudulentas”.

Feito esse diagnóstico, os debatedores prosseguem afirmando que o jornalismo profissional ganha mais uma função: a checagem das informações disseminadas por outros meios que não os veículos de imprensa – mais precisamente “a desmontagem de boatos”, nas palavras de Bucci. Segundo ele, essa nova tarefa assumida pelos jornalistas profissionais não é um mero detalhe, visto que as fake news têm efeito não só no jornalismo, mas em outras frentes fundamentais da democracia, como a política, a concorrência comercial, a saúde (como é caso dos boatos não fundamentados sobre as vacinas) e a educação. “Tentar colocar no mesmo nível as teorias advindas de Charles Darwin e teorias criacionistas é um problema, que bate muito na educação, na divulgação e na noção de ciência", exemplifica.

Aproveitando o gancho da educação, Juliana Santoros contribui com sua perspectiva estudantil sobre a abordagem do tema na graduação em Comunicação: “Temos feito essa discussão em sala de aula, mas acho que poderíamos ter um preparo em questão de ferramentas, como checar fatos, além do bom processo de apuração".

A partir daí, o debate transcorre com a abordagem de conceitos e práticas no campo do jornalismo para esta nova realidade comunicacional gerada pelas fake news. Na conclusão, os convidados aproveitam para deixar seu recado aos estudantes de jornalismo. "É importante muita leitura e informação. Aproveitem este momento em que vocês são estudantes para se formar de fato. É importante saber buscar, além da fala de quem quer que seja sua fonte, fatos e documentos – saber pesquisar. É o momento que vocês têm de aprender a fazer isso, o que vai dar frutos na carreira de vocês", afirma Irineu Machado. Eugênio Bucci completa: “Eu nunca vi um momento mais estimulante para ser estudante de jornalismo como agora”.

Assista à íntegra do Café Intercom em Rede:

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