INTERCOM 2019: CONFIRA COMO FOI O II CICLO AMAZÔNIA

24 de setembro de 2019

“O índio chorou, o branco chorou

Todo mundo está chorando

A Amazônia está queimando”

– Emerson Maia

A canção “Lamento de Raça”, do compositor amazonense Emerson Maia, deu o tom do II Ciclo Amazônia, realizado no dia 6 de setembro no campus de Belém da Universidade Federal do Pará (UFPA), como parte da programação do 42º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom 2019). Interpretados pelo jornalista, músico e professor Raphael Cortezão (FBN/Ufam), os versos refletiram a forte preocupação com as queimadas na Floresta Amazônica que ocuparam as manchetes nacionais e internacionais na semana do evento.

Antes da apresentação musical, o professor Allan Soljenítsin Barreto Rodrigues (Ufam), diretor Cultural da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e um dos coordenadores do II Ciclo Amazônia, leu a “Carta de Belém para a Amazônia”, documento em que os sócios da Intercom se manifestaram sobre “o momento crítico enfrentado pela Região Amazônica e seus povos em razão do aumento expressivo das queimadas, dos desmatamentos ilegais, das invasões de terras indígenas pelo garimpo e com os assassinatos de lideranças populares envolvidas na defesa da floresta e dos direitos das populações tradicionais”.

Na mesa de abertura, os outros dois coordenadores do II Ciclo Amazônia ressaltaram a importância do evento. “A situação é muito séria. Por isso, precisamos continuar pesquisando e continuar em disputa. Esta é uma das motivações deste Ciclo”, afirmou a professora Netília Silva dos Anjos Seixas (UFPA). Já professor Sandro Colferai (UNIR), diretor Regional Norte da Intercom e coordenador do II Ciclo Amazônia, destacou a importância de abordar a Amazônia em toda a sua diversidade: “Pretendemos falar das diferentes Amazônias e como elas são afetadas pela ação humana”, afirmou, lembrando que seu estado, Rondônia, é a “Amazônia na beira da estrada, e não na beira dos rios”, e que é preciso defender tanto os povos tradicionais amazônicos quanto as populações que passaram a habitar a região em seu processo de urbanização.

Precisamente os processos socioeconômicos e históricos pelos quais a região amazônica passou e ainda passa foram o foco da conferência “Metamorfoses da Amazônia”, oferecida por Marilene Corrêa da Silva Freitas (Ufam) com moderação de Cicilia Maria Krohling Peruzzo (UAM/Intercom). A professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas iniciou sua fala explicando que a Arqueologia e a Antropologia comprovam a existência de sociedades hierarquicamente organizadas e tecnologicamente avançadas na região há mais de 10 mil anos, e que a primeira grande mudança se deu a partir da colonização europeia. “O encontro da Europa com a América alterou completamente essa dinâmica. Então, esse é o ponto de partida de uma metamorfose radical que atingiu a todos. Eu imagino o grande cataclisma que foi provocado pela mudança estrutural profunda", continuou.

Outra metamorfose, segundo a professora, veio com a independência brasileira de Portugal, em 1822. “A Amazônia brasileira, que acabava de nascer com a independência do Brasil, já estava fraturada pelos movimentos de continuidade e de ruptura com a Amazônia portuguesa”, afirmou. Depois, vieram diversas outras transformações, passando pelo segundo ciclo da borracha no pós-guerra, o regime militar brasileiro (“quando a luta pela terra aqui tornou-se paradigmática para o Brasil inteiro”), a questão indígena, a transformação dos espaços naturais em patrimônio mundial, a expansão do agronegócio e a “oposição entre a região e a nação”.

“Hoje, essas metamorfoses da Amazônia brasileira desafiam uma investigação heurística mais importante no que diz respeito à Zona Franca e à realidade da Amazônia como ecossistema, porque essas metamorfoses transformaram a região em cenário, objetivo e problemática do futuro do planeta”, concluiu a professora, contrapondo a interpretação “tosca e reacionária” do governo brasileiro sobre tais metamorfoses, bem como os interesses capitalistas do agribusiness, à força dos movimentos sociais e da pesquisa científica e intelectual.

Após a conferência de abertura, três mesas discutiram aspectos históricos e contemporâneos da sociedade, do território e da comunicação na Amazônia. Entre os convidados, estavam pesquisadores e profissionais da região, incluindo o venezuelano Adrian José Padilla Fernández (Universidad Nacional Experimental Simón Rodríguez), a jornalista e etnocomunicadora Mayra Wapichana e José Altino Machado, assessor de comunicação da Secretaria de Estado de Saúdo do Acre.

O II Ciclo Amazônia foi encerrado com uma apresentação do Coro Universitário da UFPA (CORUNI), que é um projeto de extensão da Faculdade de Música da Universidade Federal do Pará, coordenado e regido pela professora Cristina Owtake.

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